segunda-feira, 17 de março de 2014

Quiromancia I



Essa mão que agora leio
teu seio afagou
O futuro, na mão, tento ver
esperando, ou melhor, desejando
que o destino, outros afagos,
possa reservar.


T.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A porta da sua casa
Mas o que eu posso fazer
Eu mataria a saudade
Mas amanhã é domingo.

sábado, 12 de novembro de 2011

Palavras

Tenho sido censurado,
Afastado, vetado.
Por desejos isentos de culpa
Egocêntricos, solitários,
sem caracteres, nome ou
significado.
De pretexto arbitrário,
sórdido, falsificado
Tenho me sentido ermo
Deserto, desabitado.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Os leões.

As serpentes.

Os abismos.

(Os rugidos

Os sussurros

E os silêncios )

...........................Terríveis.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Historia de Amor: 4

Pedro e Estella se conheceram numa festa. Aquela velha história: cabelo ao vento, gente jovem reunida. Pedro que sempre simpatizou com tempestades, lá estava ela: vítima ou personificação de uma garoa - um prenúncio. Estella, atenta a outros olhares e movimentos, parecia submersa em detalhes sinuosos e mordia os lábios com certa aflição – Cenas proibidas. Nada convencional, amor; Mas Pedro entendia bem dos desejos excêntricos que sua irmã, Marina, era capaz de despertar – nada convencionais.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Historia de Amor: 3

Da janela emperrada do quarto, ela me observa com olhos de esfinge - decifrar e devorar. E eu: tolo, coitado, dando passos pra trás na rua escura, vazia - correndo, gritando por socorro, latindo como um cachorro prestes a ser atropelado.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Os filhos do T. se alastram pelo mundo: Bloco de Notas




Valeu, Daros!
Bela Medusa
Delicioso é o mistério:
Como me deixas duro
Falo (,) petrificado
Com um simples olhar?


T.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Oh! Bela Cristina
Coragem aos fracos e desavisados
Tua boca cheia de náufragos
Traz consigo um carnaval
De dor


T.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Não acreditava em sonhos e mais nada.
Apenas a carne me ardia
E nela eu me encontrava.


(Terra em Transe) mas poderia ser do T.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

"Quem tem vagar faz colheres de pau..."

ora mocinho ora bandido
com a mão no bolso furado:
perco a chave de casa
e a foto da mocinha
que por vezes dava sentido
ao oco de dentro... nada!
só a necessidade do vulgo homem
crescido capaz quase sempre lascivo
digo, mania de sentido!
Sabe lá: um corpo
vezes uns copos
vezes nada
é(,) nada

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A Silhueta

Na sala obscura, onde branqueja

A mancha ebúrnea do teclado,
Morre e revive, expira, arqueja
O estribilho desesperado.

Um Pierrot de vestes de seda
Negra, ele próprio toca e canta.
O timbre múrmuro segreda
Uma dor que sobe à garganta.

E uma triteza de tal sorte
Vem nessa pobre voz humana,
Que se pensa em fugir na morte
À miséria cotidiana.

Como a voz, também a mão geme.
E na parede se debruça
A sombra pálida, que treme,
De uma garganta que soluça.

(Manuel Bandeira, Carnaval)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Como Era Bom

o tempo em que marx explicava o mundo
tudo era luta de classes
como era simples
o tempo em que freud explicava
que édipo tudo explicava
tudo era clarinho limpinho explicadinho
tudo muito mais asséptico
do que era quando eu nasci
hoje rodado sambado pirado
descobri que é preciso
aprender a nascer todo dia

Chacal

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Lira amorosa em três movimentos


Ato I

Nosso encontro era como uma revoada de pássaros belos e de uma luxuria inocente, e cada bater de asas deixava solto um aroma desconhecido, que transcendia toda a carne, os lábios, seu rosto. Palavras eram desnecessárias, as caricias eram meros atos decorativos. Olhares antes do sono hipnótico.

Ato II

No sono hipnótico duas esfinges premeditam uma cruel chacina. As bocas ameaçam, os corpos se chocam; porem lá já não é nossa morada; Aqui onde estamos olhos permanecem vendados, bocas não mais se tocam, corpos são paisagens múltiplas desvendadas a cada toque, e aqui cada toque é por essência obstinado a romper barreiras. Eu juro: romperemos o amanhã.

Ato III


O amanhã vem em passos escusos. E de nosso relutante inimigo, só conhecemos sua arma; um punhal inflexível a que chamamos de tempo. Mesmo antes de sua chegada já existem marcas de dor; na cama, atrás da porta, descendo a escada... Triste pensar que já não somos mais mistério, que hoje, desveladas as mascaras somos apenas carne, promessas e passado.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Ironia Trágica



Corri por uma
Subi por outra
Cruzei as duas
E acabei sem nenhuma.

T.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010



Ele não deu importância. Olhava o chão. Mais cedo ou mais tarde, a vida atinge aquele ponto em que só o chão importa. tudo então fica sendo chão. tudo termina no chão. A semente e o cadáver.


O Ventre, Carlos Heitor Cony

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Historia de Amor: 2

Caio e Marcela caminhavam pelo cais. Sol rachando os lábios, roupas molhadas ao vento, o sorriso nos olhos da moça e a cara de bobo do rapaz. O afago da mão sobre a outra traduzia o futuro e seu itinerário. Ele está apaixonado, ela é de Sagitário.

sábado, 5 de junho de 2010

Bom Dia



Sonhar é voar macio

Por entre prédios
E coxas semi-abertas
Acordar é bater de frente
Com o mundo, e cair
Estilhaçado
Caco de vidro
Corte no pé

T.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Trago no peito um amor medroso
...Talhado a golpes de machado
........Raquítico-amargurado
...........De tão sem perna
................nem braço

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Cego, vejo homens decapitados indo e vindo sob os últimos fios de minha turva consciência. Não há silencio que baste nem sequer uma boca que ouse falar. Mas hei de abrir meu coração e fazer desmoronar um penhasco sobre meus demônios - ouve-se todo dia ao nascer da manhã o som de mil bestas aladas rasgando meu corpo, dentes e braços, pernas de pau. Hei de tragar essa tempestade e nunca mais ter o que falar.