quarta-feira, 7 de outubro de 2009

http://abismoebreu.blogspot.com/

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Cego, vejo homens decapitados indo e vindo sob os últimos fios de minha turva consciência. Não há silencio que baste nem sequer uma boca que ouse falar. Mas hei de abrir meu coração e fazer desmoronar um penhasco sobre meus demônios - ouve-se todo dia ao nascer da manhã o som de mil bestas aladas rasgando meu corpo, dentes e braços, pernas de pau. Hei de tragar essa tempestade e nunca mais ter o que falar.

domingo, 23 de agosto de 2009

Nada de Édipo

O sol das cinco da manhã dilacerava-me os olhos enquanto meu corpo todo reclamava alguns incômodos: minha má postura – coisa que ela sempre reclamou, assim como minha mãe reclamava; minha cabeça cheia de remorso; e meus pulmões cansados dessa atmosfera carregada de atos falhos e palavras impensadas, um verdadeiro circo foi armado ontem nessa casa, com direito a feras indomáveis e lançamento de facas, eu sobrevivi. Logo cedo perambulei pela casa observando atento cada cômodo, cada cortina, cada lençol, a mesa, o jogo de talheres, um jogo de palavras, articuladas essas, na minha testa mais um discurso insuportável nasceu, desagradável a quem quer que escute – a verdade é que minha boca sempre foi uma fossa, partindo disso e deixando de lado formalidades, minhas palavras não seriam outra coisa além de fezes. Jogo fora mais um discurso.

Não me causa espanto o fluxo desenfreado que as coisas tomaram, com um tom moribundo, mas acima de tudo conformado eu repito: eu troquei os pés pelas mãos. Como disse ela antes de sair porta a fora vomitando todos os seus hormônios; minha musa - as vezes cobra, as vezes puta - entoava todas as minhas mazelas com o mesmo tom que minha mãe possuía – Édipo, coitado, em algum momento de sua vida deve ter se visto obrigado a repetir ‘’eu troquei os pés pelas mãos’’, provavelmente antes de furar seus olhos. Eu, em seu lugar também arrancaria meus ouvidos. Cego e também surdo não me importaria com o furacão que percorria a casa acompanhado de terríveis trovoadas – todas as louças foram reduzidas a cacos. Nem me importaria com todas as palavras-facas atiradas contra mim. Calado ficaria até a tempestade passar.

Mas eu não furei meus olhos, muito menos arranquei meus ouvidos, pelo contrario, abri minha boca e coloquei muita coisa pra fora, enchendo a sala e o rosto dela de fezes, uma coisa desagradável, repito. O circo pegou fogo, mas o furacão foi embora, pra casa de algum parente talvez, eu que fiquei, vivo – sem grandes traumas.

Às vezes até mereço meus sofrimentos. Mas deixando de lado todo o sadismo que polui as relações e diálogos em geral, é inevitável deixar de ver o cômico defecando na face do trágico: Uma esposa angustiada flagra seu marido contratando uma prostituta. Este, enquanto é engolido pela voluptuosidade em pessoa, nota que esta sendo observado e sai do carro aflito, tropeçando nas próprias calças e caindo com a face no chão. A ‘’libertina’’ por sua vez, solta gargalhadas estridentes enquanto limpa a própria boca.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

armas são de formas variadas
martelo serrote revólver
entre tantas

planar num céu de pregos
cair numa cova de merda
sou dessa gente que espera
bilhete premiado do mundo
e aguarda com a cara na janela
ou num buraco escuro
tomando remédio tarja preta
[pra dormir quase em paz]
ou exibindo um riso besta
meu deus!

A.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Blues & Insônia

(Em A C7 G)

Um palhaço enigmático
Vestindo velhos trapos
Transbordando inquietudes
Idéias estilhaços
Veloz, Impávido
No colo do inimigo
Trago ultimo devaneio
Trago o trago final.

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